segunda-feira, 4 de março de 2013

Primeira elegia de Rilke.

Quem se eu gritasse, me ouviria pois entre as ordens
Dos anjos? E dado mesmo que me tomasse
Um deles de repente em seu coração, eu sucumbiria
Ante sua existência mais forte. Pois o belo não é
Senão o início do terrível, que já a custo suportamos,
E o admiramos tanto porque ele tranqüilamente desdenha
Destruir-nos. Cada anjo é terrível.
E assim me contenho pois, e reprimo o apelo

De obscuro soluço. Ah! A quem podemos
Recorrer então? Nem aos anjos nem aos homens,
E os animais sagazes logo percebem
Que não estamos muito seguros
No mundo interpretado. Resta-nos talvez
Alguma árvore na encosta que diariamente
Possamos rever. Resta-nos a rua de ontem
E a mimada fidelidade de um hábito,
Que se compraz conosco e assim fica e não nos abandona.
Ó e a noite, a noite, quando o vento cheio dos espaços
Do mundo desgasta-nos o rosto -, para quem ela não é /sempre a desejada,
Levemente decepcionante, que para o solitário coração
Se impõe penosamente. Ela é mais leve para os amantes?
Ah! Eles escondem apenas um com o outro a própria sorte.
Não o sabes ainda? Atira dos braços o vazio
Para os espaços que respiramos; talvez que os pássaros
Sintam o ar mais vasto num vôo mais íntimo.

Sim, as primaveras precisavam de ti.Muitas estrelas
Esperavam que tu as percebesses. Do passado
Erguia-se uma vaga aproximando-se, ou
Ao passares sob uma janela aberta,
Um violino se entregava. Tudo isso era missão.
Mas a levaste ao fim? Não estavas sempre
Distraído pela espera, como se tudo te ansiasse
A bem amada? (onde queres abrigá-la
Então, se os grandes e estranhos pensamentos entram
E saem em ti e muitas vezes ficam pela noite.)
Se a nostalgia te dominar, porém, cantas as amantes; muito
Ainda falta para ser bastante imortal seu celebrado sentimento.
Aquelas que tu quase invejaste, as desprezadas, que tu
Achaste muito mais amorosas que as apaziguadas. Começa
Sempre de novo o louvor jamais acessível;
Pensa: o herói se conserva, mesmo a queda lhe foi
Apenas um pretexto para ser : o seu derradeiro nascimento.
As amantes, porém, a natureza exausta as toma
Novamente em si, como se não houvesse duas vezes forças para realizá-las.
Já pensaste pois em Gaspara Stampa
O bastante para que alguma jovem,
A quem o amante abandonou, diante do elevado exemplo
Dessa apaixonada, sinta o desejo de tornar-se como ela?
Essas velhíssimas dores afinal não se devem tornar
Mais fecundas para nós? Não é tempo de nos libertarmos,
Amando, do objeto amado e a ele tremendo resistirmos Como a flecha suporta à corda, para, concentrando-se no salto Ser mais do que ela mesma?
Pois parada não há em /parte alguma.

Vozes, vozes.Escuta, coração como outrora somente
os santos escutavam: até que o gigantesco apelo
levantava-os do chão; mas eles continuavam ajoelhados,
inabaláveis, sem desviarem a atenção:
eles assim escutavam. Não que tu pudesses suportar
a voz de Deus, de modo algum. Mas escuta o sopro,
a incessante mensagem que nasce do silêncio.
Daqueles jovens mortos sobe agora um murmúrio em direção /a ti.
Onde quer que penetraste, nas igrejas
De Roma ou de Nápoles, seu destino não falou a ti, /tranqüilamente?
Ou uma augusta inscrição não se impôs a ti
Como recentemente a lousa em Santa Maria Formosa.
Que eles querem de mim? Lentamente devo dissipar
A aparência de injustiça que às vezes dificulta um pouco
O puro movimento de seus espíritos.

Certo, é estranho não habitar mais terra,
Não mais praticar hábitos ainda mal adquiridos,
Às rosas e outras coisas especialmente cheias de promessas
Não dar sentido do futuro humano;
O que se era, entre mãos infinitamente cheias de medo
Não ser mais, e até o próprio nome
Deixar de lado como um brinquedo quebrado.
Estranho, não desejar mais os desejos. Estranho,
Ver tudo o que se encadeava esvoaçar solto
No espaço. E estar morto é penoso
E cheio de recuperações, até que lentamente se divise
Um pouco da eternidade. - Mas os vivos
Cometem todos o erro de muito profundamente distinguir.
Os anjos (dizem) não saberiam muitas vezes
Se caminham entre vivos ou mortos. A correnteza eterna
Arrebata através de ambos os reinos todas as idades
Sempre consigo e seu rumor as sobrepuja em ambos.

Finalmente não precisam mais de nós os que partiram cedo,
Perde-se docemente o hábito do que é terrestre, como o /seio materno
suavemente se deixa, ao crescer.Mas nós que de tão grandes
mistérios precisamos, para quem do luto tantas vezes
o abençoado progresso se origina - : poderíamos passar /sem eles?
É vã a lenda de que outrora, lamentando Linos,
A primeira música ousando atravessou o árido letargo,
Que então no sobressaltado espaço, do qual um quase /divino adolescente
escapou de súbito e para sempre, o vazio entrou
naquela vibração que agora nos arrebata e consola e ajuda?


.

O segredo da minha vida tá sempre alí... na mística.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2013

O seu machado e a vitória por meio-gol.


O relato a seguir aconteceu no interior de Igrejinha - RS, no ano de 1972, na final do interiorano-varzeano de futebol entre os times Solitária baixa Vs Linha Hitler.

Entonces...

- Pozôlha meu gurí. Era 44min do segundo tempo, o a gente perdía por 2 a 1 foi quando o Kampfdorfer deu o tiro de meta - numa bola que errei por poco - com tanta força,mas chutou com tanta força, que a bola bateu na trave do nosso golêro - acho que era o Soares pinto, na época - e a bola véia pegou na nossa trave e voltô pra dele e entrou pra dentro. - EMPATÊMO! - pensei pra mim e dito e feito o Juíz - que era um gringo de Ana Rech - deu o gol pra nós e o jogo foi pro 2 a 2.

- Ahhhhh! Seu Machado. Coisa desse não se vê sempre hein. Tinha que ter gravado.

- Quê nada, tinha que ter gravado o que veio depois!

- Mas o quê podia dar a mais depois dum gol contra de golêro?

- Mas escuta então... eles saíram com a pelota na meia-cancha e eu roubei a bola dum polaco que vinha driblando terra e céu, roubei a bola do bocheca-vermêia e saí campo afora até que sofri a falta - era longe do gol, e pedi pra cobrá - mas gurí! dê-lhe um pataço que a bola estourou de tão forte e entrou só a camara dentro do gol - Acho que o goleiro era o Soares Pinto, na época - e o Juíz - Meio gringo, acho que era de Ana Rech - deu meio-gol. GANHAMOS O JOGO POR 2-1/2 a 2.

- FIQUÊMO CAMPEÃO DAQUELA BOSTA!

- Tá Machado! tens a medalha?

- Quê medalha? Se o prêmio era um leitão.



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Acontece né?






quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

O primeiro frio de 2013.

Levantei cedo - eram umas 5:15 - pois tinha que vir a Bagé. Pé direito fora da cama e quando tocou o chão de madeira, e o vento ponteou da janela, eu senti. É o primeiro frio do ano e logo chegarão as geadas.

Deu pra ficar de poncho até as 10:45 da manhã. Levarei uns vinhos e uns comes pois o frio se anuncía e é dia de futebol na televisão.

"Manta gelada que não tem fragrância
e se faz água prá morrer neblina
as geadas pretas que esmaguei na infância
viraram cinza prá branquear minha crina."

Jayme Caetano Braun, o mito.

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

El soño

Sonho do dia 25/02/2013: As moças do supermercado cósmico passavam suas vidas no leitor para ver quanto  custavam enquanto um moço reclamava na fila, pois estava demorando pra chegar sua vez. Perguntei quem era - Sou deus - disse ele.

Essa cegueira,
não há de ser nada
dar valor a vida,
numa fila parada.





Borges + Rodoviaria + Dois Irmãos

... Enquanto isso na rodoviaria de Dois Irmãos o Borges Müller irá pedir um pastel.

- Me vê um pastel de carne, sem pepino!

- No nosso pastel de carne não tem pepino, moço.

- Mas então bota!

- Mas tu não tinha dito que queria sem?

- Mas então tira, meu deus do céu, que dificuldade. Faz o seguinte suspende o pastel e me traz uma Spoller, SEM GELO!!!

- Não servimos Spoller com gelo.

- Mas então...
.


Não há de ser nada.

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

5 JUSTIFICATIVAS PRA SE FUMAR CRACK

O texto eu subtraí do blog do Kehrwald, pois foi com ele que descolei um rolê esses dias.






 CINCO JUSTIFICATIVAS PARA SE FUMAR CRACK

1 – Porque emagrece: Se você está acima do peso e quer entrar em forma, nenhum método é mais eficaz. Noites em claro errando pelas ruas atrás do vício e a diminuição gradual da fome (além da baixa considerável de sua imunidade, atraindo toda a sorte de viroses) certamente surtirão um resultado surpreendente em poucas semanas.

2 – Você ficará mais ligado com seu lado espiritual: O desprendimento total do apego material (afinal, em pouco tempo você venderá todos os objetos da casa por valores extremamente caridosos) é o primeiro grande passo para tocar o Absoluto. Em estágios mais avançados você passará mais tempo do lado de lá que do de cá, até cair pro lado de lá do muro e ingressar no Infinito.

3 – Movimentar a economia do país é um dever cívico de todos: Há décadas que o narcotráfico gera mais empregos do que a maioria das atividades lícitas no país. Comprando a pedra, você estará lubrificando as engrenagens desta grande máquina estatal de geração de trabalho.

4 – Nenhum lugar é bom o suficiente se não contar com um mendigo folk: Esmolando para sustentar o vício, já lesado pela deterioração cerebral, suas palestras com as pessoas e monólogos desvairados certamente tornar-se-ão um atrativo do bairro (ou até da cidade ,em alguns casos). Você será usado como exemplo para que as crianças estudem e não caiam nas drogas. Em suma, você será patrimônio cultural vivo e folclore andante da localidade.

5 – O mundo está superpopuloso: Abreviar a própria vida é tirar uma sobrecarga da Mãe Natureza. Um tapa na cara do egoísmo e uma ode à solidariedade.

Hasta luego caros correligionários.